Adeus para sempre
– Prosas Soltas –
Abril 27, 2025
Adeus para sempre. Vou-me embora, vou deixar de ser gente.
Vou ser vento, calor ou chuva. Ou bicho da terra vivente.
Não há mais vida útil em ser pessoa. É tudo muito confuso, difícil e urgente.
Querem sempre mais. Tenho de ser sempre mais. Exigem cada vez mais, e mais não tenho para ser nem para dar. Mais só tenho dor.
Vou antes ser flor! Perfume, pólen e cor!
Nascer na Primavera, florir na brisa morna, e partir quando tempo for.
Ser a semente que promete o regresso. Todo um fim dentro de todo um começo.
Melhor que aqui estar, poisada nos dias, é ser pássaro e voar, cantar ao sol e à chuva, até a vida se esgotar.
Já chega de insistir em existir, vou desenformar esta forma de vida, e moldar-me noutro corpo, e ir. Pelo tempo que o Tempo me permitir.
Ser menos que peso,
ser mais que alma,
regressar à calma,
ser coração infinito,
sem a angústia da mente.
Não vou mais ficar aqui, vou ser vida de outro ventre, de outros ossos, de outros olhos que não estes meus.
Por isso, adeus.
Adeus para sempre.
