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Ana Pinto

Blog Literário

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Rio

Adeus para sempre

– Prosas Soltas –

Abril 27, 2025

Foto de Daniil Komov

Adeus para sempre. Vou-me embora, vou deixar de ser gente.

Vou ser vento, calor ou chuva. Ou bicho da terra vivente.

Não há mais vida útil em ser pessoa. É tudo muito confuso, difícil e urgente.

Querem sempre mais. Tenho de ser sempre mais. Exigem cada vez mais, e mais não tenho para ser nem para dar. Mais só tenho dor.

Vou antes ser flor! Perfume, pólen e cor!

Nascer na Primavera, florir na brisa morna, e partir quando tempo for.

Ser a semente que promete o regresso. Todo um fim dentro de todo um começo.

Melhor que aqui estar, poisada nos dias, é ser pássaro e voar, cantar ao sol e à chuva, até a vida se esgotar.

Já chega de insistir em existir, vou desenformar esta forma de vida, e moldar-me noutro corpo, e ir. Pelo tempo que o Tempo me permitir.

Ser menos que peso,

ser mais que alma,

regressar à calma,

ser coração infinito,

sem a angústia da mente.

Não vou mais ficar aqui, vou ser vida de outro ventre, de outros ossos, de outros olhos que não estes meus.

Por isso, adeus.
Adeus para sempre.

 

«Adeus para sempre» - Reel

 

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