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Ana Pinto

Ler. Partilhar. Sentir.

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Deixar-te partir

Quotidianos Paralelos

Fevereiro 23, 2024

Foto de Pixabay no Pexels

Eu fico, meu amor. Tu vai. Vai confiante, vai em paz. Eu fico.

Não te preocupes comigo.

Não te preocupes com a porta do armário que não fecha, ou com a gaveta que não abre.

Não te preocupes se a caldeira falha e eu não a souber religar.

Não te apoquentes – há vizinhos e amigos, eu não estou só.

Vai. Segue. Eu fico.

Fico eu. Tu podes seguir à frente.

Porque de contrário, a dor da minha ausência irá consumir-te até ao último dos teus suspiros. E, assim como assim, eu já estou mais acostumada a sofrer. Por tua causa. Por ti.

Sofri quando perdi a virgindade contigo.

Sofri quando pari o nosso filho. Sofri quando ele morreu. Sofri quando não quiseste ter mais nenhum.

Sofri quando te afastaste de mim. Sofri quando te aproximaste de outra mulher.

Sofri quando te foste embora.

Sofri quando voltaste, e choraste no meu colo porque ela te deixou.

Sofri com o perdão que te dei sem que nunca mo tivesses pedido.

Sofri quando te soube doente. Sofri quando os meus cuidados não chegaram para te devolver a saúde. Sofri quando não te pude dar a minha.

Por isso vai, meu amor. Não te preocupes comigo.

Eu estou habituada a sofrer. Estou habituada a deixar-te partir.

 

Deixar-te partir [Reel]

 

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